O que devo ter atenção ao escolher e instalar as minhas velas de ignição?

Muitas pessoas esquecem das velas de ignição e o quanto estas são importantes para que o conjunto do motor funcione a 100%. Na maioria das vezes deve-se ao fato as velas de ignição não darem potência, como o turbo ou inlet por exemplo, o que acabam passando despercebidas. Mas a vela de ignição é essencial para assegurar o bom funcionamento de um motor à combustão interna.

Muitas vezes temos problemas mecânicos, como falhas de ignição, motor engasgar, perdas de potência, que pensamos serem causados pelas bobinas, chicote, sensores, mas na realidade você poderá ter velas com defeito ou estar a usar as velas erradas para o nosso projeto, está pode também estar com a folga desajustada, ou simplesmente desgastadas.

A escolha das velas para o nosso carro varia em função do nosso projeto. Mas de um modo geral, para um carro original, ou com modificações leves, as velas de ignição corretas serão sempre as com características originais (OEM). Agora para um carro com remap, ou uma preparação mais forte o indicado será mesmo optarmos por velas mais frias e com maior resistência à temperatura, mas já falamos sobre isso mais à frente.

Para escolha das nossas velas temos diversas soluções disponíveis no mercado, em que os valores variam imenso, de acordo com a tecnologia da vela, material do eletro da mesma, entre outras variáveis. 

Várias vezes nos perguntam qual a potência que as velas aguentam, ou qual o aumento de potência irei ter ao aplicar de uma certa vela. Não podemos ter essa abordagem ao escolher a vela. O que poderemos sim dizer é que com a vela correta poderemos ter o máximo de eficiência da nossa preparação e iremos manter o nosso carro a funcionar corretamente.

Existem 3 aspectos principais das velas que iremos falar neste artigo, que devemos ter atenção na hora de escolher a vela ideal para o nosso projeto.

1 – MATERIAL DO ELETRODO CENTRAL

O primeiro é o material do eletrodo central da vela.

- Velas em Platina: as velas fabricadas com o platina não foram desenvolvidas para aumentar a capacidade de ignição delas, mas sim para aumentar a sua longevidade quando comparadas as velas em cobre, que apesar de ser melhor condutor que o platina, o cobre não tem a mesma durabilidade. Sem as velas em platina nunca teríamos velas a durar 60.000km nos motores originais, talvez não no Brasil devido ao nosso combustível que muitas vezes é adulterado, mas sem intervenções externas temos sim muitas marcas automotivas com intervalos de trocas de velas elevados com a aplicação do Platinum.

- Velas em Iridium: o Iridium é um material superior ao platinum, com melhor capacidade de condução de eletricidade, e melhor resistência à temperatura, ou seja, para carros preparados com maior temperatura no cilindro o iridium será melhor que o platinum.

- Velas em Prata: a Prata é o melhor condutor quando comparado com qualquer metal! Conduz 560% mais eletricidade e 481% mais calor do que a Platina, e 276% mais eletricidade e 177% mais calor do que o Iridium. As velas em prata são uma das melhores soluções para motores de alta performance e competição. 


2 –  FAIXA DE CALOR

A segunda característica que temos que ter atenção é o grau térmico da vela. O grau térmico é a capacidade que a vela tem de dissipar o calor. Em uma vela quente a dissipação de calor será mais lenta. Em uma vela fria a dissipação de calor será mais rápida.

Os motores com preparação e upgrade de turbo, terão uma temperatura de funcionamento maior do que os motores originais. O que as velas mais frias têm a capacidade de evitar a auto detonação do combustível, devido ao aumento de temperatura no cilindro. Ou seja, para o seu carro remapeado, stage 2 ou superior por exemplo, aconselhamos sempre velas mais frias. que as originais de fábrica, para evitarmos falhas de ignição, auto detonação do combustível, grilar do motor, assim como termos o máximo de eficiência da explosão da mistura de ar/combustível e consequentemente mais potência.

3 – FOLGA DAS VELAS

Outra característica essencial a se ter atenção, principalmente na hora da instalação das velas, é a distância entre os eletrodos, normalmente conhecida como folga da vela.

É sempre importante confirmar a folga das velas antes da instalação. Apesar de estas virem com a folga regulada de fábrica é bom confirmar se está dentro da especificação da montadora. E mediante a preparação que você tenha será sempre necessário regular essa folga para termos o melhor resultado.

No caso dos carros originais a especificação varia de acordo com o veículo, mas situa-se entre 0,7mm e 1,5mm na maioria dos casos. Você pode consultar a folga especifica para o seu veículo normalmente no manual do proprietário ou no site do fabricante da vela.

Motores modificados normalmente necessitam de folgas menores, devido principalmente às taxas de compressão mais severas. A regra geral é: Quanto maior for a potência do motor, menor deve ser a folga. 

Mas como sei qual folga utilizar no caso dos motores preparados? Para saber qual a folga que deve ser utilizada é sempre melhor perguntar ao seu preparador, pois ele saberá lhe direcionar de acordo com o remap que você utiliza no seu carro. Mas em regra geral, os motores EA888 do grupo VW, os N20, N55, ou mesmo o S55 da BMW quando com remap deverá utilizar folga de velas de 0,6mm +/-0,05 mm.

Como posso fazer o ajuste da folga das minhas velas de ignição?

Existem diversas ferramentas de aferição para folgas de velas automotivas. Boa parte dessas ferramentas, conhecidas como calibradores, também costuma apresentar em conjunto uma borda plana, tipicamente utilizada para ajustar a folga entre os eletrodos 

Para ajustar a folga o eletrodo externo, pode ser deslocado (ou “entortado”) cuidadosamente em direção ao eletrodo central, para diminuir a folga, ou na direção contrária, para aumentá-la.

Não é preciso aplicar muita força, portanto, seja cuidadoso por forma a evitar que o eletrodo externo parta ou encoste no eletrodo central.

 

INTERVALO DE TROCA DAS VELAS

Tipicamente, a grande maioria das pessoas, trocam as velas apenas quando estas falham, o que acontece sempre quando menos estamos à espera e nunca no momento ideal.

Estando nós a falar de carros preparados, temos de pôr de lado a recomendação do fabricante, até porque o nosso motor vai estar exposto a condições muito mais severas, do que quando original.

Com uma preparação com upgrade de turbina ou um remap, tudo o que dá na turbina original, iremos aumentar fortemente a temperatura na câmera de combustível, o que preparadores como a APR indicam para os seus remap intervalos de troca de velas de ignição de 16 mil a 24 mil km.

Considerando a qualidade do combustível no nosso país o intervalo de troca de velas poderá encurtar fortemente, o que por este motivo sempre indicamos aos nossos clientes uma troca de velas 1 vez ao ano para manter o seu motor com ignição a 100%.

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